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Lula liga para Vice-presidente da Venezuela e decide q… Ler mais

O telefonema que partiu do Palácio do Planalto na manhã do último sábado chamou a atenção de diplomatas e observadores internacionais. Em poucos minutos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscou esclarecimentos diretos junto à liderança venezuelana sobre um episódio que rapidamente ganhou repercussão global. A iniciativa do chefe do Executivo brasileiro sinalizou a preocupação do país em compreender, com cautela e responsabilidade, informações divulgadas pelo governo dos Estados Unidos sobre a situação política na Venezuela, reforçando o papel do Brasil como ator relevante no cenário regional.

Segundo interlocutores do Planalto, a conversa entre Lula e a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, foi descrita como “super rápida” e objetiva. O contato teve como foco principal confirmar dados divulgados por autoridades norte-americanas a respeito de Nicolás Maduro. A decisão de Lula de ligar pessoalmente demonstra o esforço do governo brasileiro em manter canais abertos de diálogo, mesmo em um contexto diplomático sensível, marcado por desconfianças e posicionamentos divergentes entre os dois países vizinhos.

As relações entre Brasil e Venezuela atravessam um período delicado desde a reeleição de Nicolás Maduro, em julho de 2024. O governo brasileiro adotou uma postura crítica em relação ao processo eleitoral venezuelano, solicitando a apresentação das atas que comprovariam o resultado anunciado por Caracas. A ausência dessa documentação aprofundou o desgaste diplomático e levou Brasília a questionar a legitimidade do pleito, em linha com a defesa histórica do país por processos transparentes e reconhecidos internacionalmente.

Esse distanciamento ficou ainda mais evidente quando o Brasil atuou para barrar a entrada da Venezuela no Brics, bloco econômico formado por países emergentes como Brasil, Índia, China e Rússia. A decisão foi interpretada como um recado político claro, indicando que o alinhamento a fóruns multilaterais exige compromissos mínimos com regras, diálogo e previsibilidade institucional. Internamente, a postura do governo Lula foi vista como uma tentativa de equilibrar princípios democráticos com a necessidade de estabilidade regional.

No cenário internacional, a posição brasileira ganhou destaque durante reunião do Conselho de Segurança da ONU, realizada nesta segunda-feira. O embaixador do Brasil, Sérgio Danese, condenou a ação armada dos Estados Unidos em território venezuelano, ressaltando que não se pode admitir a ideia de que objetivos políticos justifiquem métodos que desrespeitem normas internacionais. Para o diplomata, aceitar esse tipo de raciocínio enfraquece a legitimidade do sistema global e cria precedentes perigosos.

Danese destacou que a Carta das Nações Unidas é clara ao estabelecer a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo em situações muito específicas. Em sua avaliação, permitir intervenções dessa natureza pode abrir espaço para que países mais poderosos imponham suas decisões aos mais frágeis, comprometendo o equilíbrio das relações internacionais e enfraquecendo o multilateralismo, um dos pilares da política externa brasileira.

A declaração do embaixador está alinhada à nota oficial divulgada pelo governo brasileiro, assinada por Lula no dia da ação norte-americana. O texto reforça a rejeição do Brasil a intervenções externas e defende um mundo multipolar baseado na cooperação, na paz e no respeito à soberania. Em meio a um cenário internacional cada vez mais complexo, a postura brasileira busca preservar princípios históricos da diplomacia nacional, ao mesmo tempo em que mantém o país no centro dos debates globais.